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Foodtech aposta em IA para reduzir custos de restaurantes

A gestão operacional tem ganhado cada vez mais espaço nas estratégias de bares e restaurantes em um cenário de margens pressionadas. Segundo levantamento da Abrasel, 23% das empresas do setor iniciaram 2026 operando no prejuízo, ante 16% no fim de 2025, enquanto a parcela dos negócios lucrativos caiu de 47% para 41%.

Nesse contexto, a foodtech curitibana ACOM aposta em tecnologia para ajudar operadores a reduzir desperdícios, controlar custos e melhorar a rentabilidade. Com cerca de 2 mil operações atendidas, a empresa projeta faturamento de R$ 24 milhões em 2026, crescimento orgânico de aproximadamente 25% em relação ao ano anterior e EBITDA superior a 25%.

Especializada em ERP para o foodservice, a plataforma tem como principal diferencial a gestão do Custo da Mercadoria Vendida (CMV) em tempo real. Enquanto muitos estabelecimentos calculam custos apenas com base na ficha técnica dos pratos, o sistema considera fatores como desperdícios, perdas de estoque, vencimento de insumos e desvios operacionais.

Segundo Eduardo Ferreira, CCO da ACOM, a diferença entre o CMV teórico e o CMV real pode comprometer significativamente a margem dos restaurantes.

“Entre a ficha técnica e o prato servido ao cliente existem diversos fatores que impactam o custo real da operação. O objetivo é mostrar exatamente onde essa margem está sendo perdida”, afirma.

De acordo com a empresa, clientes conseguem reduzir em até 10 pontos percentuais seus custos operacionais após identificar gargalos na operação. Em alguns casos, restaurantes que operavam com CMV de 35% passaram para cerca de 25%, ampliando a rentabilidade do negócio.

Além do controle de estoque, a plataforma automatiza processos financeiros, como conciliação de recebíveis de cartões, geração de títulos e integração com instituições bancárias para pagamento de fornecedores.

O modelo comercial é baseado em Software as a Service (SaaS), com cobrança conforme o volume de utilização. O investimento médio varia entre R$ 800 e R$ 1.000 por CNPJ, podendo aumentar conforme os módulos contratados.

Fundada em Curitiba em 2003, a ACOM atende principalmente grupos com três ou mais unidades, incluindo redes de hamburguerias, churrascarias e operações instaladas em aeroportos. Atualmente, a empresa concentra sua atuação nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro, mas já planeja uma futura expansão internacional para Europa e Estados Unidos.

No roadmap de inovação, a foodtech prepara uma nova versão da plataforma com recursos de inteligência artificial e uma solução voltada para operações de menor porte.

Conteúdo adaptado de reportagem publicada pela Bloomberg Línea.

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